Esse título pode evocar uma mulher da alta sociedade ou quem sabe uma atriz renomada vinda deste país belo e cheio de história e seu relacionamento com a arte através das telas de cinema ou das ondas do rádio. Mas não. A dama de Paris é uma moradora de rua. Não me lembro do nome dela… Vou chamá-la de Marie. O que eu lembro dela é de seu sorriso e de como seus olhos brilhavam enquanto ela admirava silenciosamente um quadro em um museu.
Ela dorme em um banco de uma estação de metrô todas as noites. Ela não é jovem, aparenta ter mais de 60 anos. É gentil, sorridente e os vigias permitem que ela durma lá por ser mais seguro. Antes dos primeiros passageiros chegarem para pegarem o metrô, Marie já se levantou, guardou todos os seus pertences em duas sacolas largas de lona e seguiu seu rumo. Sem destino.
Na verdade, sim… Há um destino. O primeiro museu que ela encontrar. Marie é uma grande apreciadora da arte. Na reportagem, ela diz já ter visitado diversos museus de Paris. Viu quadros famosos, esculturas, fotografias (sem contar que ela se encontra em uma cidade que por si só já é uma obra de arte).
Mas por que esta senhora me marcou tanto?
Por causa não somente de sua resiliência e gentileza com a vida e com as pessoas com quem ela interage ao longo do dia, mas também pela delicadeza de sua alma. Ela permanece parada em frente a um quadro, admirando as formas e cores pintadas nele. Quando perguntada sobre o porquê de ela gostar de visitar museus, ela diz que a arte a faz sentir viva e pertencente à sociedade.
Entendem como a arte não deve jamais ser elitizada? E que ela realmente não é para as elites. Ela é para todos, sua beleza não deve jamais ser retirada daqueles que têm pouco ou nada material. Simplesmente porque a arte toca uma parte delas que nenhum dinheiro pode tocar. Suas almas. A delicadeza que existe em cada um de nós, como uma borboleta pequena e delicada. A arte é a única flor que essa borboleta visita.
Tirar a arte dos mais pobres é um ato de pura crueldade. Por que tirar de alguém a única coisa que pode fazê-lo sentir-se parte do todo?
Decidi criar esta categoria exatamente para isso. Para mostrar a todos que sim, a arte é para todos, que ela toca a todos, de uma maneira ou de outra. Que ela nos liberta, nos une e nos faz lembrar de que, apesar das nossas situações e momentos pessoais, somos seres humanos.
Então, lembre-se. A beleza da Arte é sua também!

