A trilha sonora da nossa mente: música como abraço e cura

Tem dias em que o silêncio grita. Outros, em que o barulho do mundo parece demais. E há também aqueles momentos em que tudo que a gente precisa é apertar o play em uma música que nos entenda antes mesmo que a gente diga uma palavra.

A música tem esse poder. Ela atravessa o ruído do mundo e encontra direto o que está dentro. Uma canção pode nos acolher, como um cobertor invisível num dia de dor. E não importa o estilo: para alguns, esse conforto vem no violão suave da MPB; para outros, no piano lento da música clássica, no fôlego de um samba antigo, na batida de um lo-fi instrumental.

A trilha sonora da nossa mente.

Sim, nossa mente tem uma trilha sonora, mesmo que a gente não perceba. Há músicas que colam em lembranças, em fases da vida, em sentimentos difíceis de nomear. E às vezes, colocar uma canção para tocar é a forma mais simples (e mais eficaz) de dizer: “eu preciso de ajuda, e essa música vai me ajudar a passar por isso.”

Mais do que um fundo musical, a música pode ser uma ferramenta de regulação emocional. Em crises de ansiedade, por exemplo, ouvir sons calmos pode ajudar a desacelerar o coração, ajustar a respiração, puxar a gente de volta para o corpo. Em momentos de tristeza profunda, a música que nomeia a dor pode funcionar como catarse — porque há alívio em saber que alguém, em algum lugar, sentiu o que você está sentindo agora.

Quem somos nós?

E há também as músicas que nos lembram quem somos. Que reativam memórias boas, viagens feitas, pessoas queridas, sensações de liberdade. Essas músicas são âncoras. Elas nos resgatam quando a mente começa a se perder no excesso de pensamentos.

É importante lembrar: não existe música certa ou errada. O que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra. E está tudo bem. O segredo está em escutar-se — literalmente. Criar sua própria playlist de acolhimento. Separar as músicas que te abraçam. As que te animam. As que te fazem chorar e depois te deixam mais leve.

Hoje em dia, com acesso a plataformas gratuitas, ficou mais fácil criar esses espaços sonoros. E talvez valha a pena reservar cinco ou dez minutos do dia só para isso: ouvir com intenção. Escolher uma canção como se escolhesse um afago. Deixar que ela faça o trabalho silencioso de curar por dentro.

A música, quando bem escolhida, não é só som. É cuidado. É presença. É um jeito de dizer a si mesmo: “eu mereço me sentir melhor, mesmo que seja só por alguns minutos.”

E às vezes, alguns minutos são tudo o que a gente precisa para continuar.

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