Desenhar sem saber: o valor do rascunho emocional

Você não precisa saber desenhar para se permitir criar. Nem precisa seguir regras, fazer traços bonitos ou usar as cores “certas”. Às vezes, o que mais precisamos é simplesmente rabiscar. Sem motivo, sem pressa, sem um resultado final em mente. Só o gesto. Só o encontro entre você, o papel e o que está passando por dentro.

Muita gente cresceu ouvindo que não tinha “talento” para o desenho. Que o traço era torto, que não sabia fazer um rosto ou um corpo. Isso fez com que muita gente se afastasse do lápis, do papel, das cores. Mas a arte não precisa ser bonita. E nem precisa ser arte com A maiúsculo. Ela pode ser só um respiro — uma forma de sair do excesso de pensamentos e se reconectar com o momento presente.

Bobby Goods.

Hoje em dia, tem crescido uma nova tendência que vai exatamente nessa direção: os livros de colorir terapêuticos e afetivos. Um dos mais conhecidos é o da Bobby Goods, que não traz ilustrações rígidas ou temas complexos. Pelo contrário: são desenhos simples, fofos, acolhedores. Cenas do cotidiano, bichinhos, flores, recados gentis — tudo pensado para despertar leveza, relaxamento e um tipo de alegria silenciosa.

Colorir esses desenhos não é sobre ficar “bonito no final”. É sobre o processo. O tempo que você passa ali, escolhendo as cores, preenchendo os espaços, respirando com mais calma. É como uma pequena meditação com lápis de cor. E funciona.

Estudos mostram que atividades como colorir e desenhar ajudam a reduzir os níveis de cortisol (o hormônio do estresse), além de promoverem foco, organização interna e sensação de bem-estar. Mesmo que você rabisque algo sem forma definida, como espirais, ondas ou traços soltos — isso já é, por si só, uma forma de expressão emocional.

O que você está sentindo é o que importa.

O que importa não é o desenho em si. É o que ele te ajuda a sentir. E muitas vezes, o rascunho diz mais do que mil palavras. Ele pode conter uma raiva represada, uma saudade antiga, uma alegria tímida. E tudo isso pode sair sem precisar passar pelo filtro da lógica ou da fala.

Desenhar sem saber é também uma forma de aceitar imperfeições. De lidar com o caos de dentro sem querer “corrigir” nada. Apenas deixando ser. E é nesse gesto que mora a cura: no espaço que você cria para se escutar com as mãos.

Então talvez hoje você possa separar cinco ou dez minutos para rabiscar. Pegar aquele caderno velho, os lápis do fundo da gaveta. Ou até investir num desses livros de colorir afetivos — como os da Bobby Goods — que, mais do que um passatempo, funcionam como um abraço gráfico. Um lugar seguro onde não existe erro. Onde tudo que nasce da sua mão tem valor.

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